O olhar documental ou a documentação de um olhar?
Publicado em 01 de março de 2010 |
| |
|
| |
| 
Esta foto é uma reprodução do painel que se encontra no Centro de Informação e Documentação do Museu do Café, na cidade de Santos, Estado de São Paulo. A imagem é do Acervo do Memorial do Imigrante. A fotografia me chamou a atenção pelo simples fato de que a história é feita e lembrada nos detalhes e pelas ideias. Não entrarei na discussão sobre quem foi o visionário que contratou um fotógrafo para registrar esse fato. Até porque não sei se há documentação sobre isso. Mas, vamos até lá para avaliar melhor. É o Brasil, no final do século dezenove e início do vinte. A fotografia assiste e documenta o passar dos acontecimentos. Ela nos remete ao passado e nos conta a história pelo registro de manifestações dos imigrantes que comemoravam o término da colheita de café na Fazenda Quilombo, na cidade de Limeira, Estado de São Paulo, por volta de 1909. O visitante da biblioteca do Acervo vai ver através de algumas imagens aquele mundo e momento histórico que não estão tão distantes de nós. É a partir das fotografias e das técnicas utilizadas pelos fotógrafos daquele período que as representações visuais são identificáveis pelo olho humano, como o registro fiel da realidade. Não estou confirmando este pensamento, até porque imagino toda a preparação feita antes da captura da imagem, para poder ser relatada. Toda fotografia expõe nas entranhas de seu conteúdo uma interrupção do tempo. Podemos até dizer que esta foto é fragmento do real, a partir do momento do clique. É dessa maneira que a fotografia passa a trabalhar como suporte material de pesquisa para outras áreas, como a Antropologia, por exemplo. Podemos dizer que esta imagem foi concebida pelo olhar do autor e que nela há um padrão estético que coloca a visão do fotógrafo. E se desejarmos ir um pouco mais além, poderíamos dizer que uma outra dimensão, mais profunda e diferente da percepção comum daquela realidade foi documentada, o que poderia até ser considerada uma outra realidade, já que tudo depende mais do olhar do que para onde olhamos.
|
| |
|
|
| |
|
|
|