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Gerson Moreira Lima
O Outro Lado da Bola

 
A tragédia anunciada
Publicado em 02 de julho de 2010
 
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Perder é do jogo. Duro é perder quando o caminho para a vitória parece tão perto. Não me refiro apenas à derrota para a Holanda. Falo da Copa do Mundo em si, nivelada por baixo. Claro que Argentina, Alemanha, Espanha e a própria Holanda parecem melhor preparadas, mas Uruguai e Paraguai podem perfeitamente ficar com o título. Não consigo ver distância tão significativa entre essas equipes.
A cara de Dunga
Difícil apontar os motivos da desclassificação brasileira. Dois para mim ficaram claros: a certeza da vitória que cada jogador tinha no seu íntimo (passada para muitos torcedores) e a obediência cega do grupo a Dunga. Bastou um gol numa falha dupla de Felipe Melo e do imbatível Júlio César para que o desequilíbrio vencesse o Brasil.
Os jogadores brasileiros do segundo tempo em Porto Elisabete foram a cara de Dunga: intranquilos e querendo resolver tudo na força. Acreditaram até a última gota no dunguismo, construído por atos de revanchismo contra a Imprensa, grosseria contra tudo e contra todos, além de colocações preconceituosas e tolas de alguém que nem sequer admite possa estar equivocado.
Não havia Romário
Não é momento para tripudiarmos, mas é fundamental analisar os fatos. O Brasil de Dunga ganhou tudo o que não era muito necessário (a não ser a classificação para a Copa), mas perdeu o que realmente vale: a Olimpíada e a Copa do Mundo.
Todos já sabiam que a seleção não tinha cabeças pensantes no meio de campo. Poderiam ser Alex, do Fenerbahçe, ou o próprio Ganso, do Santos. De nada adianta Robinho e Cia. no ataque se não há quem os alimente. Dunga equivocou-se também aí: como havia sido campeão mundial ao lado de Mauro Silva e Mazinho, imaginou que a história repetiria-se. Esqueceu-se que em 94 havia o talento de Romário que levou a Copa sozinho.
Grafite e Robben
Dunga errou também na convocação. Não apenas porque não levou armadores, mas ao deixar de fora atacantes. Nilmar passou a ser a única opção. Dunga não esboçou sequer uma terceira e última tentativa nos dez minutos finais contra a Holanda. Olhou para o banco e só tinha Grafite. Lúcio, por conta própria, virou centroavante. Era o fim.
Taticamente, Dunga também falhou. Todos sabiam que Robben, o talento holandês de uma jogada só (corte para dentro e chute ao gol em diagonal), iria cair pela ponta-direita. Por ali, o Brasil voltou para casa.
Quem iria marcar Robben? Michel Bastos, há um ano jogando praticamente no setor direito do ataque do Lyon da França? Ou Gilberto, há quatro ou mais anos, atuando no meio de campo? Sobrou para Felipe Melo, um jogador que faz do desequilíbrio sua mais letal arma. Dito e feito.
Aposta na rebelião
Pensemos no futuro. Dunga, finalmente, dirá adeus à seleção. O problema é que Ricardo Teixeira, tão ou mais poderoso do que o presidente da República, continua lá. E se escolher novamente alguém que faça o Brasil jogar como se não fosse Brasil?
Aí restará torcer para uma rebelião dos jogadores brasileiros para, em campo, desobedecerem o esquema e fazerem por conta própria. Mas quais jogadores brasileiros hoje têm personalidade para tal? Teremos que garimpá-los nesses próximos quatro anos para que o Brasil não repita a tragédia de 1950.


 

 
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