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 |  Publicado em 02 de abril de 2010
Futebol e religião, irmãos na intolerância

 
Marcus Vinicius Batista , IMPRIMIR ENVIAR POR E-MAIL
   
 

 

Discutir futebol e religião implica em assumir o impasse entre os que debatem. Mais cedo ou mais tarde, prevalecem a fé (que merece o respeito da individualidade), os dogmas e os preconceitos. O episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz indica que, quando se misturam as estações, cria-se um cenário de oportunismo e intolerância.

Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusou a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube. Acompanhei a história pela imprensa e, no primeiro momento, vendeu-se a versão de que os jogadores tomaram tal atitude para batucar e cantar. A acusação foi molecagem e insensibilidade com o próximo, pois o Lar atende 34 crianças com paralisia cerebral.

No dia seguinte, a verdade! Robinho afirmou, em entrevista coletiva, que o motivo foi religioso. Os jogadores teriam se recusado a visitar a entidade porque não são espíritas, mas evangélicos. A acusação passou de molecagem à intolerância e discriminação religiosa.

Futebol e religião, juntos na mesma sacola, caem na intolerância. Ambos, quando institucionalizados, transformam-se em redutos de preconceito, egocentrismo e violência. No futebol, quantos casos de agressões e mortes justificados por amor (ou outros sentimentos que levam este nome) em nome de clube ou de uma torcida organizada, por exemplo? Na história, quantos casos de indiferença, de ódio e dor que foram justificados em nome de Deus?

Futebol e religião, quando se misturam, conduzem à cegueira dos ingênuos ou dos fanáticos. Mas também são utilizados como arma de poder pelos que manipulam ou controlam. Os líderes, ao vestirem as roupas do oportunismo, podem enganar pelas intenções nobres. A questão por trás da casca da generosidade é empurrar a um resultado que louva e beneficia – de forma inevitável – a própria liderança.

Não se trata de aliviar a consciência. Isso pode até acontecer. Mas o alívio não é interno, introspectivo, individual, como deveria ser na espiritualidade (no sentido de transcendência, e não da religião espírita). Há a necessidade de dividir com o mundo, na busca obsessiva de reconhecimento, de valorização da imagem. A fé como peça de prateleira de supermercado.

Por que levar câmeras e jornalistas para mostrar uma ação de caridade? Mostrar que os Meninos da Vila são preocupados com isso? Os jogadores foram convocados para estar lá, tanto que muitos se recusaram a visitar as crianças quando souberam da natureza religiosa do Lar Mensageiros da Luz. O clube queria capitalizar com a visita? Foi uma proposta mercadológica, com origem na mentalidade corporativa que envolve atualmente o Santos? Vale somente o ganho institucional para o clube?

Os jogadores, mal orientados na primeira vez, perderam o rumo na sequência. O grupo que se recusou a conversar com as crianças simbolizou a intolerância e a hipocrisia que cerca as religiões, quando transformadas em instituições político-econômicas.

Fé e religião são questões diferentes. E jamais deveriam servir de ingredientes em um caldeirão cujo ingrediente principal é o futebol. Os jogadores do Santos que ficaram no ônibus têm o direito de seguir uma religião, como qualquer sujeito, mas – como figuras públicas – não podem demonstrar que entenderam errado os preceitos básicos dela.

Até onde consigo entender, todas as religiões pregam tolerância ao próximo, o amor, a solidariedade, a sensibilidade junto àquele que se encontra numa situação difícil. Estes valores ganham maior dimensão no período da Páscoa, que simboliza o sofrimento e a humildade do principal líder religioso da cristandade. Ele, aliás, não vestia camisa de time algum.

Quando disseram não à visita, os jogadores não enxergaram crianças com paralisia cerebral. Foram ingênuos ou fanáticos, pois associaram aqueles meninos e meninas a uma doutrina que eles mal conhecem. Por não conhecerem, não a compreenderam. E a associaram a algo ruim. Tão ruim ou pior que os problemas de saúde que perseguem àquelas crianças, ao ponto de virarem as costas para elas.

Será que a igreja (ou templo) destes jogadores – muitos de vida particular pouco religiosa, diga-se – defende perguntar antes a religião do outro para poder ou não ajudá-lo? E o clube, sedento de holofotes, não tem responsabilidade sobre garotos de 18, 20 anos? Ao invés de explorá-los como mercadorias, o Santos não deveria orientá-los como seres humanos em formação e expostos a grau incomum de pressão social?  

Neste caso, a boa fé e a solidariedade acabaram substituídas durante o jogo de poder pela insensibilidade e pela intolerância. As únicas derrotadas foram as crianças, usadas e expostas no show de mídia ou no espetáculo da fé, ambos nocivos e preconceituosos. Melhor seria se a imaturidade fosse uma simples batucada dentro de um ônibus.

Contato: marbatista@hotmail.com

Para acessar outros textos: www.conversasedistracoes.blogspot.com

 

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Ontem o presidente do santos na tv gazeta explicou que a príncipio só ele e o vice iria entregar mas durante a viagem no onibus eles explicaram para onde iriam e o que iria fazer (todos ja sabiam o que era e onde e foi quem quis, tanto que um jogadorR.Brum pediu para descer do anibus antes de chegar) Parabéns aos verdadeiros Homens, com caráter, honradez, caridosos, decentes, sábios, corajosos, seguidores do exemplo de JESUS são vocês, Felipe, Wladimir, Edu Dracena, Zé Eduardo, Arouca, Pará, Gil, Maikon Leite, Breitner, Zezinho e Wesley e Dorival Júnior. Que DEUS continue abençoando vocês, verdadeiramente evangélicos (evangelho significa boa nova), ricos de bons sentimentos, de amor e atitude cristã. Por terem dado alegria e alento para as crianças e demais pessoas com paralisia cerebral, excelente lição! Pena que tem gente que não aprende, mas a Vida e o Tempo ensinam, só que de forma mais dolorosa. Quanto aos “outros”, obrigado por mostrarem quem são verdadeiramente, deixando cair as máscaras. Agora com suas atitudes o Espiritismo fica cada vez mais conhecido e mais forte no Brasil e no mundo, pois, este episódio foi registrado nos principais jornais esportivos do planeta. Deixando o querido e maravilhoso Santos com uma mancha negativa. Apesar do time Santos e a cidade Santos não terem culpa nenhuma. Não entendi uma coisa, O que as crianças com paralisia cerebral fizeram para eles? Será que é melhor ficar dentro do ônibus fazendo batucada ao invés de dar alegria para as crianças? Num lugar onde não existe nenhum tipo de ritual (em se tratando de espiritismo, não existe nem deve existir, nenhum ritual religioso, esta escrito nos próprios livros da codificação) e se alguém falar que tem é no mínimo uma tremenda ignorância. (além do mais, ali é uma clínica, uma espécie de “hospital” de reabilitação como mostra o vídeo no youtube) O que JESUS faria? Ele que conviveu com cobradores de impostos, prostitutas, doentes (leprosos, ou melhor hansenianos, entre outros) E continuou sendo o mesmo JESUS que mudou o mundo. Para aqueles que defendem a postura dos jogadores e criticam os críticos alegando que os "excepcionais" jogadores tem livre arbítrio, as outras pessoas também tem livre arbítrio para emitir sua opinião a respeito. Como JESUS também fazia, emitindo opinião com relação ao que via de errado, (criticando os levitas, fariseus e outros) lembrem-se da parábola do BOM SAMARITANO, para quem defende estes jogadores ensinem a parábola para eles e se os mesmos não entenderem é melhor desenhar. Abraço Fraterno a Todos! :) OBS: O próprio protagonista sr. Robson & Cia. conseguiu juntar Futebol e Religião (ao afirma em alto e bom som em rede nacional na TV) e depois não quer Polêmica!? No período em que o Armando Nogueira que é uma pessoa inteligente, bondosa, fantástica nos deixa. "Ganhamos" outras preconceituosas, ignorantes, Pseudo-religiosas. Mas a esperança não morre jamais, as pessoas aprendem, se corrigem, melhoram, espero que alguém realmente conte a parábola do bom samaritano para essas pessoas e se não entenderem que se desenhe para que possam com ajuda de Deus melhorar.

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Utilizar-se de ações de caridade, como mero gesto publicitário, fere o conceito de doação em todo o seu entendimento. Uma ação que tornou-se desastrosa, simplesmente pela ignorância (no seu sentido literal) que alguns jogadores tem sobre o entendimento de mundo e solidariedade. A bondade não tem religião e nem Jesus tinha, por tal, não somos nós que temos que julgar o que é certo ou errado. Parto de um princípio básico: O bem é bom, e o mal é mau.

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