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Porto-Cidade  |  Atualizado em 30 de julho de 2010
A hora e a vez do Valongo

 
Mudanças no bairro mais antigo da cidade já estão em andamento, atraindo empresários para o crescimento econômico do local
Carina Seles , IMPRIMIR ENVIAR POR E-MAIL
   
 

Após 20 anos que a área foi designada como de revitalização urbana, o plano de ocupação do Programa Porto Valongo Santos passou, nos últimos sete anos, por trâmites para ser iniciado no espaço que compreende, segundo a Prefeitura de Santos, a Rua Visconde do Embaré, Rua São Bento, Rua Tuiuty e Marquês de Herval.

Mudanças econômicas, culturais e sociais estão começando em uma  área de 194.082 metros quadrados, com projetos para melhorias no trânsito, na logística, na dimensão da capacidade das vias, vagas de estacionamento e espaço para carga e descarga dos caminhões que circulam pelas vias portuárias, além de transformar o bairro em um pólo de negócios, turismo e cultura. O projeto foi anunciado pelo prefeito João Paulo Papa no ano passado.

O bairro, considerado turístico, não é patrimônio histórico, mas suas principais atrações estão tombadas, como a Estação do Valongo, o Santuário Santo Antônio do Valongo e os casarões.

O Valongo já aparenta sinais de crescimento econômico, com 43 tipos de atividades diferentes em meio a casarões antigos do século XIX. De transporte de cargas à livraria, passando por  bares e restaurantes. Segundo a Secretaria de Planejamento de Santos - Seplan, houve um aumento em 43% de negócios implantados no bairro devido ao projeto Alegra Centro.

Uma das novidades no Valongo é o retorno do Bairro Chinês. De acordo com o Plano Diretor, em discussão na Câmara, a volta do nome, que existiu até a década de 70, pretende dividir o bairro em duas áreas, sendo o “novo” bairro integrando a parte inferior dos morros Penha, São Bento e Pacheco até a Avenida Getúlio Vargas. A área tinha este nome pois imigrantes orientais eram donos de chácaras no local. Após a Segunda Guerra Mundial, o Valongo passou por um processo de desvalorização com a saída dos proprietários para bairros próximos à orla. O nome não é conhecido por pessoas mais novas, pois após o regime militar, a área foi integrada ao bairro do Valongo.

No começo do julho, houve a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do Museu Pelé, previsto para 2012, com a presença do próprio atleta. O local possui, atualmente, metade dos recursos para início das obras oferecidas por fundações. O projeto, que custará R$20 milhões, reconstrói a fachada original do Casarão do século 19 e cria em seu interior um edifício com tecnologia do século 21, o que torna um local de importância nacional e internacional. O local abrigará lojas, cafés, sanitários, exposições, setor administrativo e o acervo de Pelé, com fotos e objetos pessoais do jogador.

Além disto, o complexo arquitetônico da Petrobrás (UNBS - Unidade de Negócio e Exploração e Produção de Gás e Petróleo da Bacia de Santos) será formado por três torres que abrigarão 6.500 funcionários diretos. A primeira torre de 16 pavimentos e mais dois subsolos está em fase de construção e atenderá mais de 84 mil metros quadrados de área livre, o que representa 43,28% da área do Valongo, além de pequenos contratos em casarões do bairro.  Com previsão de entrega da obra em julho de 2012, o projeto pretende gerar cerca de 1.200 empregos nesta fase.

Outro dos projetos consiste em transformar uma área, segundo a Prefeitura, de 55 mil metros quadrados em um complexo turístico, náutico, cultural e empresarial, espaço que compreende os armazéns de 1 a 8, em desuso há mais de 20 anos.

Conforme relatório da Codesp, os armazéns 1 e 2 terão espaço gastronômico, exposições artísticas e eventos culturais. O espaço entre os armazéns 3 e 4 abrigará uma área para informações turísticas. No armazém 3 existirão escritórios de design e mídias. O 4 abrigará um centro de controle administrativo e operacional da marina e o Museu Marítimo do Porto.  O transporte aquaviário de passageiros será realizado pelo armazém 5, além de um terminal para cruzeiros marítimos no armazém 6. O de número 7 será o Instituto de Ciências do Mar e Unidade da Base Aérea. E o último será uma unidade de apoio técnico para embarcações de pequeno e médio portes e a estação de embarque da Petrobrás. O investimento será cerca de R$ 1 milhão 300 mil.

 Com verbas federais, o Mergulhão, uma passagem em desnível para o tráfego de veículos, pretende solucionar o problema de congestionamento do local. A passagem subterrânea entre os armazéns 1 e 2 terá duas pistas, com três faixas cada, e está orçada em R$ 260 mi com previsão de ser realizada em 48 meses. Na parte superior, será uma esplanada para passagem de pedestres. Segundo a prefeitura, o conceito da esplanada tem o objetivo de fazer a ligação física entre os equipamentos turísticos à beira d´água e o Centro Histórico de Santos.

Segundo o secretário de Planejamento de Santos, Bechara Abdalla Pestana Neves, a implantação do sistema do Veículo Leve sobre Trilhos, o VLT, na Região Metropolitana da Baixada Santista está em fase de projeto. Sua primeira fase compreende 11 quilômetros, de São Vicente, no bairro Esplanada dos Barreiros, até o Estuário, chamada de Eixo Troncal. “A segunda fase sai do Eixo Troncal e adentra o bairro do Valongo até à Rua Marquês de Herval”. Segundo ele, a proposta é fundamental, pois com o Projeto Alegra Centro já houve um crescimento de 43% no número de novos empreendimentos no bairro. “Serão 6.500 funcionários novos quando o prédio estiver pronto”, afirma.

Com a implementação e a atração de pessoas para o bairro, a prefeitura informa que serão feitas melhorias na segurança pública, como iluminação, fácil localização de equipamentos de segurança; semáforos, câmeras de monitoramento e novas sedes da Unidade da Polícia Civil e da Unidade da Companhia da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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