A edição, pelo Governo Federal, de nova medida provisória (MP) permitindo a venda direta do etanol pelos produtores à cadeia varejista, sem a obrigatoriedade de intermediação das distribuidoras, representa importante iniciativa para estimular o aumento do consumo desse combustível no País, caso se confirme o objetivo pretendido por essa iniciativa; a diminuição dos preços nas bombas a partir da redução dos custos acrescentados por intermediários.
Há muito o Brasil se destaca no cenário global como sendo o país com tecnologia mais avançada na fabricação do produto. Atualmente, dos cerca de 40 bilhões de litros de etanol produzidos no mundo, o País é responsável pela fabricação de cerca 15 bilhões desse total, notadamente o produto derivado da cana-de-açúcar.
Com uma robusta planta industrial formada por um grupo de 360 usinas instaladas, é uma cadeia de produção que emprega diretamente 700 mil pessoas e indiretamente cerca de 2,3 milhões de trabalhadores, com faturamento anual de US$ 40 bilhões por ano
É, portanto, de se estranhar que até hoje o etanol brasileiro não tenha merecido o reconhecimento devido pela sua importância econômica e recebido todos os estímulos necessários para se consolidar como o principal combustível do mercado automotivo nacional, pela sua capacidade incontestável no combate ao efeito estufa.
Estudos realizados comprovam que o cultivo da cana-de-açúcar absorve da atmosfera quase todo dióxido de carbono que a produção e o uso do etanol emitem, um saldo extremamente diante das emissões de gases danosos ao meio ambiente gerados pela queima de petróleo e carvão. Soma-se a essas vantagens a possibilidade de geração de energia por meio da queima da biomassa resultante dos resíduos gerados durante a produção do produto, e as vantagens agrícolas obtidas com a conjugação de plantios de outras culturas em períodos intercalados nas mesmas áreas ocupadas pela cana-de-açúcar.
Além de perseguir o ideal que motivou a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em 1975, que à época objetivou reduzir grande dependência nacional em relação ao petróleo importado, priorizar e estimular o uso do etanol representa uma eficiente estratégia para antecipar a substituição dos combustíveis fósseis, cujas reservas se revelam finitas.
Ao mesmo tempo, a expansão de seu uso deve ser acompanhado de rigoroso planejamento para evitar consequências danosas, como aumentos dos latifúndios monocultores de cana-de-açúcar, elevação dos valores de alguns gêneros alimentícios, erosão e esgotamento do solo utilizado para o plantio.
Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
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