A participação brasileira na COP-27, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, trouxe para o debate questões relevantes apresentadas durante os painéis realizados durante o evento e, principalmente, pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Além da cobrança às promessas feitas – e não cumpridas – pelas nações ricas em conferências anteriores, no tocante ao apoio financeiro para auxiliar os países pobres na tarefa de proteção ao meio ambiente, destacou-se a importância da participação dos povos originários e tradicionais na tarefa de preservação e exploração do maior patrimônio ambiental brasileiro: a Amazônia.
Mais do que assegurar o direito constitucional para essas populações, formadas por indígenas, quilombolas e ribeirinhos, o momento é pertinente e propício para valorizar esses grupos como importantes aliados na preservação da floresta e, principalmente, como parceiros estratégicos na defesa da soberania nacional em territórios que cada vez mais despertam a cobiça estrangeira.
Vítimas no processo de colonização e marginalizados durante décadas pelo total desprezo aos seus valores culturais, sempre foram subjugados pelo interesse na exploração das riquezas naturais e minerais contidas nas áreas por eles ocupadas, sendo invariavelmente relegados à condição secundária nas prioridades definidas pelo Estado.
A negligência no reconhecimento dessas comunidades produziu, ao longo da história de formação da identidade nacional, o ambiente ideal para a ação de oportunistas e à proliferação de entidades estrangeiras interessadas em melhor conhecer as riquezas abrigadas na floresta tropical, camufladas sob a égide da benemerência e de falsos princípios humanitários.
As extraordinárias possibilidades oferecidas pelas regiões nativas, em especial a Amazônia, já são por demais conhecidas como significativos mananciais de matérias-primas paras as indústrias farmacêuticas e mineral.
Da mesma forma, já se sabe que é perfeitamente possível conciliar de forma sustentável as prósperas atividades agropecuárias.
Nesse sentido, além de fazer valer direitos fundamentais é necessário focar propostas que estabeleçam reais e efetivos canais de integração, assegurando a proteção de bens culturais e territoriais de valores inestimáveis.
A promoção de ações paternalistas ou estereotipadas tem pouca serventia.
Por isso, é de se esperar que sejam estabelecidas metas claras visando a comunhão dos interesses exploratórios às necessidades atuais e futuras do conjunto da sociedade brasileira, sem o que ficaremos à mercê da ingerência inoportuna internacional.
Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
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